Batman | Tudo aquilo que você queria e um pouco mais
Em um mundo dominado por seres poderosos, o que leva um simples homem a ser tão popular? Não são seus traumas, sua inteligência ou seu dinheiro... Bruce Wayne é o símbolo de uma conexão com o público que o assiste. É a libertação dos desejos de fazer algo com as próprias mãos, mesmo sem poder algum. Mais do que isso, neste universo criado por Matt Reeves, o Batman (Robert Pattinson) é a representação da justiça e da esperança.
Novo longa da DC, “Batman” é um filme curioso. O herói em começo de carreira é o mais maduro entre todas as versões já apresentadas. Claro que há a inexperiência ainda, o que fica evidente nos momentos de ação. No entanto, o personagem sabe qual o seu papel e a real importância de sua missão. Ele não age sem pensar.
Pensar, inclusive, é algo que ele faz bastante. Em uma produção que tem o Charada como vilão, onde a mente é sua principal ferramenta, o herói apresenta seus dons de detetive. É a primeira vez que vemos este lado explorado tão profundamente. E muito disso se deve principalmente à atuação de Paul Dano. Sua versão tem peso na tela, onde sua presença é sentida até mesmo nos momentos em que ele não aparece. Considerando que o personagem passa a maior parte do tempo escondendo o seu rosto, passar emoções e carisma não seria para qualquer um. No entanto, o ator desempenha essa função com louvor.
Atuação, aliás, não é um problema nesse filme. Para Pattinson se destacar tanto, foi necessário que o elenco de apoio aumentasse o nível de exigência. Assim sendo, vale destacar como Zoë Kravitz como Mulher-Gato, Colin Farrell como Pinguim e, principalmente, Jeffrey Wright como Jim Gordon, dão aula de atuação.
Através de uma trilha sonora impecável, Gotham pulsa como personagem própria, onde o tom noir e realista domina a fotografia escolhida pela produção. Com uma composição de cores e sombras feita de forma perfeita, não há a tentativa de se criar algo mais estravagante, o que decepciona um pouco em alguns casos, como nos figurinos, por exemplo. Isso, é claro, é totalmente justificável na estratégia escolhida de se contar a história. A trama, por sinal, é meticulosamente desenvolvida de modo que cada arco fique completamente fechado no final. E acredite, foram muitos arcos. Nesse contexto, o filme perde força no ritmo, tornando-se cansativo em alguns momentos. É como se tivesse mais história do que o necessário. Isso fica evidente no último ato, onde o estilo de narrativa muda totalmente para resgatar a atenção do público com as cenas de ação.
Se comparado com outras propostas, “Batman” não é um esplendor do começo ao fim. No entanto, a técnica cuidadosamente conduzida por Reeves faz com que tenhamos em apenas um filme, o melhor Batman de todos os tempos. Nessa busca de se provar, o personagem cria laços mais humanos e entende o seu legado nesta cidade que parece não ter cura. Sem precisar ficar na mesma versão de ser inimigo da polícia, o Batman começa o filme como um símbolo de medo para os bandidos e termina o longa sendo mais do que um herói para a população. Ele é a prova de que ainda é possível ter esperança de um fazer do mundo um lugar melhor.
Nota: 9/10
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